domingo, 17 de janeiro de 2010

pra Lamie

Ontem fui no cinema com a Amélie e com a Erica, fomos ver o filme do Almodovar, finalmente. Eu adorei, achei triste e fiquei até com vontade de chorar. A Penélope Cruz é tudo, linda e ótima atriz, sou fã daquele jeito magrela dela, me dá até orgulho de ter pernas finas! Mas enfim, a minha vontade aqui não é de falar das cores de Almodovar ou do corpinho frágil de Penélope, quero é falar de Lamie (Litza + Amie).

Lamie é minha amiga que achei lá na TV Brasil. Partilhávamos belas manhãs, onde Av. Chile virava Av. Paulista, barzinho da Joaquim Silva virava Pub Londrino e prazos e pressões de trabalho viravam só algumas horas da nossa vida de jovenzinha com marido e cinemas para frequentar.

Quando voltei do cinema ontem peguei um ônibus, pois o metrô estava lento por conta de um acidente. Por incrível que pareça pegar ônibus aqui é mais gostoso que metrô, sobretudo de noite. A gente vem reparando na cidade, na ordem de cada rua, nas luzes do Natal que ainda estão aí (e acho que devem ficar até o fim do inverno). Aí vi um outdoor que dizia:

"Il est seize heure. Savez-vous où est ton rayon de soleil?"
(São 16h. Você sabe onde está o seu raio de Sol?"

e abaixo da frase:

"Le solde évasion hivernale"
(saldão de inverno)

e logo abaixo, pequenino, o nome da loja ou empresa (Expedia).

Na hora achei genial, a melhor propaganda de shopping de todos os tempos! Explico: no inverno 16h aqui já é noite, é o horário de rush, o metrô ferve e os engarrafamentos também. Horário nobre na tv é 18h, hora do jornal. Eu até que gosto de anoitecer cedo pois a noite fica longa e a gente pode fazer muitas coisas noturnas numa noite só.

Assim como gostava muito quando anoitecia quase 21h e o dia ficava imenso, pelo mesmo motivo.

Pensei "caramba, tenho que falar com Lamie dessa propaganda": você sai do trabalho, já está escuro e inverno e seu raio de Sol está nas compras, Lamie vai amar isso!

Mas aí cheguei em casa e vi que Expedia é uma agência de viagens, ou seja, hora de se mandar pra Flórida! (Ou Búzios, pros imigrantes vindos do Rio). Aí a propaganda não ficou mais tão sensacional assim, ficou meio óbvia...

Mas Lamie continuou nas minhas lembranças.

Lamie, você nem acredita, quando fui no shopping gastar o cartão presente que ganhei de Natal no trabalho a música que estava tocando era... Keane! Shomewhere only we know. Não acreditei, acho que você estava lá comigo, partilhando esses lugares que a gente conhece bem e que podem ser tudo que a gente quer que eles sejam...

Obrigada por tudo, pela boa companheira que foi nos breves e transformadores momentos em que estivemos juntas!



domingo, 10 de janeiro de 2010

A Grande Biblioteca


La Grande Bibliothèque
é um luxo. É a Biblioteca Nacional nossa, quer dizer, deles, quebequenses. Já estive lá uma vez pra visitar e dar uma "bisoiada" geral. Ontem voltei lá mas dessa vez pra valer, pra virar sócia e começar a atacar nos livros. Antes, claro, fui na minha querida biblioteca do bairro, Ahuntsic, e lá encontrei boa parte do que precisava.
As bibliotecas de bairro são da prefeitura e a Grande Biblioteca faz parte da instituição "Bibliotecas e Arquivos do Québec", ou seja, ela é provincial. As bibliotecas municipais são uma rede, o que nos permite devolver os livros ou filmes emprestados em qualquer uma das bibliotecas da cidade. E se algum material que você precisa está em outra biblioteca, você pode fazer o pedido e em 10 dias o livro tá do lado da sua casa. Aqui de A à Z a lista com todas as bibliotecas da cidade. Procure a sua!
Os livros pegos na Grande Biblio também podem ser entregues nas bibliotecas dos bairros, mas não o contrário. Para usar os serviços basta um comprovante de residência e um documento com foto. E é gratuito.
O acervo de ambos os serviços, municipal e provincial, é magnífico. Encontrei 9 dos 10 livros que precisava e a gente pode ficar 21 dias com os livros renováveis por 2 vezes. Se atrasar, a multinha é em dinheiro. Nada exorbitante.
Serviço recomendado pra estudantes ou interessados de qualquer área. Bom também para passar uma tarde quando se está no centro da cidade. Vi várias pessoas cochilando com livro na mão...
Na Grande Biblio tem de tudo: periódicos, livros, filmes e revistas do mundo todo. Encontrei até revista Veja da semana... Vale a pena! (opa! não a Veja, a Biblioteca, heim.)

Minha vizinha mais ilustre, Bibliothèque d'Ahuntsic.


A Grande da cidade, La Grande Bibliothèque:


Hall de entrada da Grande:

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

1º dia de aula


Hoje foi meu primeira dia de aula no mestrado em cinema, da Universidade de Montréal (UdeM). Na ída, no metrô, pensava que se passaram exatos 10 anos desde a minha última primeira vez na universidade, quando comecei a estudar na UFF (RJ), no ano 2000.

10 anos se passaram mas a sensação é a mesma, quer dizer, um pouquinho mais apurada.
Há 10 anos começar a estudar na UFF simbolizava começar a vida adulta (e isso quando a gente tem só 20 anos), as expectativas eram infinitas, como agora. Hoje, já inaugurada na vida adulta, a sensação não é de tanta novidade com o ambiente acadêmico, mas sim de renovação, reciclagem. É como poder sentir de novo aquele gostinho de "sou nova no assunto, preciso estudar isso à fundo", que dá uma inflada no peito e uma crença de que tudo é possível desde que a gente coloque esse tudo no meio do caminho da gente.

O metrô estava cheio de alunos da UdeM, cada um concentradinho em sua leitura, seja de jornal, livro, caderno de anotações ou revista. Reparei e os assuntos lidos entre os 6 jovens que estavam ao meu redor eram diversos. Eu era a única que estava com o jornal nas mãos mas não conseguia ler, pois ainda fico enrolada com tanto cachecol, luvas e toucas... (detalhes: todos estes jovens estavam de pé no metrô lotado! Um dia chego lá!).

Pra variar me perdi, pois o campus é imenso e o frio não ajuda em nada na agilidade. Cheguei na hora mas de tanto me perder só consegui achar minha sala às 8h45, sendo que a aula começava 8h30. O pior: a sala tava vazia! E pra todo mundo que perguntava "cadê o povo?", só ouvia "desolé...". Aí resolvi ir até o departamento de cinema pra ver se uma boa alma me dava alguma explicação. Pra chegar lá foi meia hora! Peguei uns túneis, várias informações desencontradas e, quando estava quase desistinho, eis que achei a secretaria do curso. Com a maior serenidade do mundo a mocinha informou: "a aula é na sala aí da frente...". Já era 9h15, eu estava super atrasada mas ela disse que eu podia entrar mesmo assim. Entrei e, claro, a aula parou. Eu pedi mil desolés até que a própria coordenadora se desculpou pela mudança repentina de sala. Tudo certo no final.

Acho que voltar à Universidade será sempre como voltar aos velhos tempos, onde os tempos vindouros parecem sempre promissores. Bom é acumular tantos bons velhos tempos... Essa temporada promete!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Otto ata

Ontem assistimos no Programa do Jô - sim, quando canso de ouvir e falar français ligo logo no site justintv pra dar uma relaxada - uma entrevista do Otto. Ele está de disco novo "Certa manhã acordei de sonhos intranquilos", que tem a produção e a presença do super Fernando Catatau (Cidadão Instigado) em todas as faixas.
Batone já tinha baixado o disco no um que tenha, resultado, viciei nessa faixa aqui:



Chama-se CRUA e já ouvi umas 53 vezes.
Quero mais o quê da vida se Deus já me deu o dom divino de ouvir e gostar de coisas boas?
Sem falsa modéstia, Otto pode.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

L'Immigration c'est Bienvenue!

Achei uma graça o vídeo da campanha pela Imigração no Québec. É bom saber que somos muitos...

Voilà!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Vídeos

Coloquei aí na lateral do blog um link do youtube com nossos vídeos daqui...

ou mais vídeos aqui: http://www.youtube.com/gabrieladeamartins

Ah, hoje nevou!

:o)

domingo, 4 de outubro de 2009

Os Mutantes



Ontem inauguramos nossa vida musical por aqui, e o motivo não podia ser melhor: Os Mutantes.
O evento da vez é o Pop Montréal, que pipoca em vários campos da arte e da cidade. O teatro era o Le National, de 1900, cheio de história e charme. O público era majoritariamente de jovens encasacados e a companhia inusitada e agradável era do Hector, sua mulher Amélie e da Érika.

Fato é que passamos a semana toda dizendo que queríamos ir no show, que perdemos o show do Rio por bobeira e que seria uma experiência incrível – e foi!
A semana passou e não sabíamos onde seria o show, onde comprar ingresso e coisa e tal – não que falte informação por aqui, mas sim porque já estamos com informação demais na cabeça e talvez, num recurso barato, ela esqueça de algumas coisas de propósito...

Fomos então encontrar a Vanessa e o Muryllo às 21h no metrô Jarry, como tínhamos combinado, para ir ao aniversário do Maurício, marido da Paula. Outro casal que conhecemos através deles - a rede aqui é muito rápida! Chegamos lá estava aquela cantoria, comidinhas deliciosas e gente nova pra conhecer. O Hector foi uma delas. Papo vai papo vem e ele não parava de olhar no relógio, tinha hora marcada pra sair por conta do show dos Mutantes. Não deu outra, nos embrenhamos e… voilà, Le National!

Estavávamos conversando e Hector falava sobre como tem coisas que você faz pelo Brasil só porque está longe dele. Ora vejam vocês, a gente não foi ao show do Circo Voador só porque era com a Zélia Duncan… a gente se seu ao luxo de não ir só porque estávamos ali, com aquilo ao alcance de nossas mãos. Aqui não podemos nos dar a esses luxos, o que é ótimo, pois nos proporcionou uma noite primorosa.

No filme Loki, Lucinha, mulher de Arnaldo, diz algo parecido com “eu me espanto com a repercussão que eles tem até hoje, não há divulgação e em qualquer lugar do mundo que eles vão, tem público…” e é verdade! Tinham vários jovenzinhos curtindo e vibrando com as músicas, casa cheia e Sérgio Dias falando em français com a platéia, a frase inaugural foi “Montréal, comment ça va?”

É isso, gente, o Arnaldo não estava. Aliás, acho que foi esse o recurso barato que nossa cabeça usou pra “esquecer” do show… No fundo, no fundo, nosso consciente dizia: “ah, se o Arnaldo estivesse lá, aí sim seria imperdível”. Fomos injustos (mas se o Arnaldo estivesse lá…) porque o Sérgio foi uma fofura. Fiquei arrependida da “implicância” que tinha com ele, quer dizer, não com ele, mas dele andando por aí sem o Arnaldo. O que faltava mesmo era ver o Sérgio ali, tocando e cantando a menos de um metro da gente.

Explico: Batone tem uma tattoo dos Mutantes no braço, só que como toda tatuagem a gente esquece dela, naturaliza aquele desenho parado ali no braço, vira algo como um nariz ou uma unha do dedinho mindinho, que você só lembra que existe se entope ou encrava. Mas quando estávamos indo pro show lembramos da tattoo, brincamos que aquilo devia valer no mínimo uma entrada vip.

Bom, pagamos com gosto a entrada e durante o show, quando o Batone estava simplesmente na frente do Sérgio, ele levantou a manga da camisa e mostrou pra ele a tattoo que se auto-iluminou. Sérgio estava no meio de um solo, viu a tattoo e balbuciou “noooooossa”, levantou a sombrancelha, deu um sorrido largo e balançou a cabeça como quem diz “que cara doido”.

Valeu a noite! Aquela tattoo ali prostada há quase 10 anos finalmente tinha encontrado o melhor motivo para ser exibida. Sorrimos satisfeitos e continuamos curtindo o show. Quando eles tocaram Ando meio desligado e a turminha brasileira do canto começou a cantar a banda fez um “oba, conterrâneos” e continuou a música com ainda mais gosto.

Sérgio falou o tempo todo em francês ou inglês, não arranhou no português horinha nenhuma. Ter mostrado a tattoo valeu mais que uma entrada vip, pois quando tocaram Sabotagem, na hora da guitarrinha ele olhava pro Batone e sorria feito tio mostrando pro sobrinho como se faz. Isso aconteceu mais umas duas vezes até que quando ele tocou Jardim Elétrico, se agachou na frente do Batone, que mais uma vez mostrou o escudo da alegria e Sérgio não se fez de rogado, encostou a ponta do braço da guitarra no braço do Batone e ficou ali, solando naquela corrente de energia Sérgio-Guitarra-Batone-Tatto-Mutantes, no estilo “Super Gêmeos, ativar!”.

Não precisava mais nada! Nem se lamentar por ter perdido o show do Circo… O show acabou, eles voltaram pro bis – Bat Macumba e Panis et Circenses – e o fim memorável: eis que Sérgio vem especialmente para cumprimentar o Batone, aperta forte sua mão e olhando fundo nos olhos dele passa-lhe a… tcham, tcham, tcham, tcham… palheta sagrada! Dá pra crer? A jovenzinha quebecoise do lado só conseguia dizer espantada: “nice, nice…”

Agora a palheta está aqui em casa, escrita de um lado "Os Mutantes" e do outro "Sérgio Dias".

E Arnaldo estava lá, a todo momento, na Balada do Louco e no fenótipo de Sérgio Dias…