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quinta-feira, 17 de junho de 2010

O cinema de Québec


Dica pra quem está no Brasil e quer conhecer o cinema do Québec: a Cinemateca Brasileira está com uma programação especial de filmes daqui. A mostra vai de 24 de junho a 4 de julho. São filmes da década de 60, 70 e anos 2000. Haverá também debates com os cineastas canadenses. Uma boa oportunidade pra ir se integrando a respeito da cultura do Québec.

A programação completa aqui.

p.s. amigo: valeu a dica, Grota! Beijos.

terça-feira, 2 de março de 2010

Brie Soleil no meu inverno

Sexta-feira passada fui com Amélie e Hector na Maison de l'architecture du Québec. Havia um tempo que eu queria ir lá dar uma sondada. Gosto de arquitetar esses passeios arquitetônicos, lembro do quanto aprendi nos papos com Toty e Batone. Nina, Le Corbusier, Niemeyer... e tantos outros que minha memória mal arquitetada sempre assopra por aí.
Quando minha cunhada Ana Rita quis fazer uma casa construída por ela mesma, Batone não pensou duas vezes e fez uma super propaganda do Toty, nosso amigo arquiteto, que ela conhece melhor que eu, e depois de um tempo tava lá o projeto: moderno, arrojado, prático, simples, grandioso, sacado, clean, inspirado e... caro!
Mas só de ter aqueles croquis nas mãos já dava pra gente uma sensação maravilhosa de "nooooossa, que casa!", era como morar numa galeria de arte! Mas por enquanto nosso croquis tá mais pra croquete meRmo...
(A casa da Ana acabou sendo comprada pronta mas as idéias do Toty ninguém compra por aí não.)
A Maison de l'architecture du Québec é um lugar pequeno, gracioso e simples, "que não tem banheiro"(observação "sagacitosa" do Hector), e abriga exposições e pequenos espetáculos. O que rolou nesses últimos tempos foi uma homenagem ao nosso arquiteto Oscar Niemeyer.
O arquiteto brasileiro Eduardo Aquino, professor na Universidade de Manitoba, e que já trabalhou com Niemeyer, desenvolveu (com sua esposa também canadense e arquiteta) o projeto "Sejour au Copan". Pra realizar sua pesquisa se mudaram para o Copan e lá ficaram 1 ano. Resultado: ensaios fotográficos que propõem uma nova forma de representação do edifício Copan, quer dizer, do ponto de vista de quem mora no Copan, de dentro pra fora.
Parte das fotos estão lá, na Maison. Dentro dessa série Niemeyer, houve também a leitura dos escritos de Niemeyer pelo ator Rémy Girard (Invasões Bárbaras). E foi isso que me levou pra lá.
Foi uma noite graciosa, além de ouvir a "voz" de Niemeyer também houve projeções das suas principais obras (MAC saudade), "manhã de carnaval" e neve de Montréal.
Pra quê mais se a gente já tem isso tudo? Foi um brie soleil no meu inverno!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Dica - TV

A Radio Canada colocou todo o conteúdo de sua programação na íntegra, no site www.tou.tv

Bom pra conhecer a cidade, a província, o país...

Minha dica é o programa Mange ta Ville, de temas variados no modelo Didi Wagner no eixo NY-SP (Lugar Incomum - MultiShow).

A apresentadora aqui é a Catherine.
Pratique seu francês québécois e conheça mais de Montréal. No programa de hoje, o espaço público, clique aqui.

E pra assistir outros programas, é só aproveitar o site!

domingo, 10 de janeiro de 2010

A Grande Biblioteca


La Grande Bibliothèque
é um luxo. É a Biblioteca Nacional nossa, quer dizer, deles, quebequenses. Já estive lá uma vez pra visitar e dar uma "bisoiada" geral. Ontem voltei lá mas dessa vez pra valer, pra virar sócia e começar a atacar nos livros. Antes, claro, fui na minha querida biblioteca do bairro, Ahuntsic, e lá encontrei boa parte do que precisava.
As bibliotecas de bairro são da prefeitura e a Grande Biblioteca faz parte da instituição "Bibliotecas e Arquivos do Québec", ou seja, ela é provincial. As bibliotecas municipais são uma rede, o que nos permite devolver os livros ou filmes emprestados em qualquer uma das bibliotecas da cidade. E se algum material que você precisa está em outra biblioteca, você pode fazer o pedido e em 10 dias o livro tá do lado da sua casa. Aqui de A à Z a lista com todas as bibliotecas da cidade. Procure a sua!
Os livros pegos na Grande Biblio também podem ser entregues nas bibliotecas dos bairros, mas não o contrário. Para usar os serviços basta um comprovante de residência e um documento com foto. E é gratuito.
O acervo de ambos os serviços, municipal e provincial, é magnífico. Encontrei 9 dos 10 livros que precisava e a gente pode ficar 21 dias com os livros renováveis por 2 vezes. Se atrasar, a multinha é em dinheiro. Nada exorbitante.
Serviço recomendado pra estudantes ou interessados de qualquer área. Bom também para passar uma tarde quando se está no centro da cidade. Vi várias pessoas cochilando com livro na mão...
Na Grande Biblio tem de tudo: periódicos, livros, filmes e revistas do mundo todo. Encontrei até revista Veja da semana... Vale a pena! (opa! não a Veja, a Biblioteca, heim.)

Minha vizinha mais ilustre, Bibliothèque d'Ahuntsic.


A Grande da cidade, La Grande Bibliothèque:


Hall de entrada da Grande:

sábado, 5 de dezembro de 2009

Otto ata

Ontem assistimos no Programa do Jô - sim, quando canso de ouvir e falar français ligo logo no site justintv pra dar uma relaxada - uma entrevista do Otto. Ele está de disco novo "Certa manhã acordei de sonhos intranquilos", que tem a produção e a presença do super Fernando Catatau (Cidadão Instigado) em todas as faixas.
Batone já tinha baixado o disco no um que tenha, resultado, viciei nessa faixa aqui:



Chama-se CRUA e já ouvi umas 53 vezes.
Quero mais o quê da vida se Deus já me deu o dom divino de ouvir e gostar de coisas boas?
Sem falsa modéstia, Otto pode.

domingo, 4 de outubro de 2009

Os Mutantes



Ontem inauguramos nossa vida musical por aqui, e o motivo não podia ser melhor: Os Mutantes.
O evento da vez é o Pop Montréal, que pipoca em vários campos da arte e da cidade. O teatro era o Le National, de 1900, cheio de história e charme. O público era majoritariamente de jovens encasacados e a companhia inusitada e agradável era do Hector, sua mulher Amélie e da Érika.

Fato é que passamos a semana toda dizendo que queríamos ir no show, que perdemos o show do Rio por bobeira e que seria uma experiência incrível – e foi!
A semana passou e não sabíamos onde seria o show, onde comprar ingresso e coisa e tal – não que falte informação por aqui, mas sim porque já estamos com informação demais na cabeça e talvez, num recurso barato, ela esqueça de algumas coisas de propósito...

Fomos então encontrar a Vanessa e o Muryllo às 21h no metrô Jarry, como tínhamos combinado, para ir ao aniversário do Maurício, marido da Paula. Outro casal que conhecemos através deles - a rede aqui é muito rápida! Chegamos lá estava aquela cantoria, comidinhas deliciosas e gente nova pra conhecer. O Hector foi uma delas. Papo vai papo vem e ele não parava de olhar no relógio, tinha hora marcada pra sair por conta do show dos Mutantes. Não deu outra, nos embrenhamos e… voilà, Le National!

Estavávamos conversando e Hector falava sobre como tem coisas que você faz pelo Brasil só porque está longe dele. Ora vejam vocês, a gente não foi ao show do Circo Voador só porque era com a Zélia Duncan… a gente se seu ao luxo de não ir só porque estávamos ali, com aquilo ao alcance de nossas mãos. Aqui não podemos nos dar a esses luxos, o que é ótimo, pois nos proporcionou uma noite primorosa.

No filme Loki, Lucinha, mulher de Arnaldo, diz algo parecido com “eu me espanto com a repercussão que eles tem até hoje, não há divulgação e em qualquer lugar do mundo que eles vão, tem público…” e é verdade! Tinham vários jovenzinhos curtindo e vibrando com as músicas, casa cheia e Sérgio Dias falando em français com a platéia, a frase inaugural foi “Montréal, comment ça va?”

É isso, gente, o Arnaldo não estava. Aliás, acho que foi esse o recurso barato que nossa cabeça usou pra “esquecer” do show… No fundo, no fundo, nosso consciente dizia: “ah, se o Arnaldo estivesse lá, aí sim seria imperdível”. Fomos injustos (mas se o Arnaldo estivesse lá…) porque o Sérgio foi uma fofura. Fiquei arrependida da “implicância” que tinha com ele, quer dizer, não com ele, mas dele andando por aí sem o Arnaldo. O que faltava mesmo era ver o Sérgio ali, tocando e cantando a menos de um metro da gente.

Explico: Batone tem uma tattoo dos Mutantes no braço, só que como toda tatuagem a gente esquece dela, naturaliza aquele desenho parado ali no braço, vira algo como um nariz ou uma unha do dedinho mindinho, que você só lembra que existe se entope ou encrava. Mas quando estávamos indo pro show lembramos da tattoo, brincamos que aquilo devia valer no mínimo uma entrada vip.

Bom, pagamos com gosto a entrada e durante o show, quando o Batone estava simplesmente na frente do Sérgio, ele levantou a manga da camisa e mostrou pra ele a tattoo que se auto-iluminou. Sérgio estava no meio de um solo, viu a tattoo e balbuciou “noooooossa”, levantou a sombrancelha, deu um sorrido largo e balançou a cabeça como quem diz “que cara doido”.

Valeu a noite! Aquela tattoo ali prostada há quase 10 anos finalmente tinha encontrado o melhor motivo para ser exibida. Sorrimos satisfeitos e continuamos curtindo o show. Quando eles tocaram Ando meio desligado e a turminha brasileira do canto começou a cantar a banda fez um “oba, conterrâneos” e continuou a música com ainda mais gosto.

Sérgio falou o tempo todo em francês ou inglês, não arranhou no português horinha nenhuma. Ter mostrado a tattoo valeu mais que uma entrada vip, pois quando tocaram Sabotagem, na hora da guitarrinha ele olhava pro Batone e sorria feito tio mostrando pro sobrinho como se faz. Isso aconteceu mais umas duas vezes até que quando ele tocou Jardim Elétrico, se agachou na frente do Batone, que mais uma vez mostrou o escudo da alegria e Sérgio não se fez de rogado, encostou a ponta do braço da guitarra no braço do Batone e ficou ali, solando naquela corrente de energia Sérgio-Guitarra-Batone-Tatto-Mutantes, no estilo “Super Gêmeos, ativar!”.

Não precisava mais nada! Nem se lamentar por ter perdido o show do Circo… O show acabou, eles voltaram pro bis – Bat Macumba e Panis et Circenses – e o fim memorável: eis que Sérgio vem especialmente para cumprimentar o Batone, aperta forte sua mão e olhando fundo nos olhos dele passa-lhe a… tcham, tcham, tcham, tcham… palheta sagrada! Dá pra crer? A jovenzinha quebecoise do lado só conseguia dizer espantada: “nice, nice…”

Agora a palheta está aqui em casa, escrita de um lado "Os Mutantes" e do outro "Sérgio Dias".

E Arnaldo estava lá, a todo momento, na Balada do Louco e no fenótipo de Sérgio Dias…


domingo, 30 de agosto de 2009

Viva! Acharam o Belchior!

Gente, é claro que ele não tava desaparecido, né? Tava só na dele curtindo a latinidade... quer coisa melhor? Tá lá... no Uruguai. E a justificativa, claro, só pode ser a música.

E isso é sempre um bom motivo. Um amigo meu, o Pipo, palhaço (palhaço é o que ele é mesmo, estou falando de profissão e de maneira de encarar a vida), antropólogo e músico acabou de voltar de uma viagem latino-musical pela nossa América do Sul. Chegou aqui e me mostrou duas músicas fantásticas que ele trouxe de nossos hermanos uruguaios e argentinos. Eu, que sou mesmo uma enlatinada (inventei agora essa palavra para fazer uma frente ao enlatado, hihi - hum, isso dá uma tese...) mas muito desatada do que há de novo nos países irmãos, fico sempre feliz em saber que estamos tão bem acompanhados de fronteiras. Só o Pipo mesmo pra me dar esse presente.

Acho que o Belchior tá fazendo uma viagem como a do Pipo, vez em quando faz-se necessário retornar às raízes, colocar o nariz vermelho, pegar a violinha e sair por aí... à palo seco!

Belchior bem sabe disso!

sábado, 15 de agosto de 2009

Because é, ué!

A palavra mais bonita do inglês é because. Parece estranho ter uma palavra bonita nessa língua feia, mas tem. E é because. É mais bonita que o nosso porque. E não tem por quê. Because, é a causa.

Because eu posso agora usar três línguas, escolho só as paroles mais bonitas de cada uma pra fazer o dia mais bonito. Because funciona assim:

"- Vamos ao cinema?
- Que tal amanhã?
- Por quê?
- Because is dimanche."

Entendeu?

E because os Beatles são os Beatles eles ficam assim, de trilha sonora das vidas.
Tentem escutar. Por quê? Because é muito bom...



Because (Lennon/McCartney)

Because the world is round it turns me on
Because the world is round...ah

Because the wind is high it blows my mind
Because the wind is high...ah

Love is old, love is new
Love is all, love is you

Because the sky is blue, it makes me cry
Because the sky is blue...ah

sexta-feira, 26 de junho de 2009

en passant


Livros! Peguei-me a observá-los em algum desses dias em que fico confabulando qual será o destino dos nossos bens mais valiosos e coloridos (incluam-se aí também os discos!). As dúvidas são muitas e a certeza só uma: sem eles não temos história e se mudar de país passa longe de mudar de história, ao contrário, a proposta é complementá-la. Para tanto temos que juntar nossos valiosos livros em portugues aos futuros livros que leremos em francês e em inglês. Paspalhamente falando fica fácil confessar que boa parte deles não foi lido e o que fica é o fato de que eles estiveram ali o tempo todo me pedindo e agora de repente eles vão sair do meu campo de visão! Mas assim, sem mais nem lendo?! E pra não ficar essa sensação terrível de vazio ou tempo perdido (culpa!), resolvi me impor um desafio inspirado num blog que vi en passant que lançou um desafio: ler 50 livros em 2009. Como estamos em fins de junho, o mês mais canjica do ano, vou me lançar o desafio de ler 25 livros em 1 semestre. Começa dia 1º de julho, o dia da mudança! (sugestivo). Não é uma conta fácil: dá uma média de 4,16 livros por mês. Praticamente 1 por semana! Uau! (será que eu tô viajando?)... O caminho é longo...




Bem, foi dada a largada!!!





sábado, 2 de maio de 2009

Clip de "Noturno" (Batone)

O Batone está gravando o segundo disco dele no estúdio Filet com Fritas, aqui no Rio. O primeiro disco foi gravado lá em Londrina.
A Filet com Fritas é também uma produtora de imagem (fotografia publicitária e audiovisual). Taí o resultado de uma tarde com uma câmera na mão do querido Júnior, o Ely Arcoverde.
Um clip pra música "Noturno", na cidade diurna do Rio de Janeiro.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Bnegão

Ah, uma música que vem muito a calhar! Se puderem escutem (fico falando no plural achando que tem um monte de gente lendo... haha, meus amigos imaginários!), ela é boa pra quem está nesse compasso de espera e também pra toda a vida.

É do nosso querido Bnegão, que aliás me disse que a parte preferida dele no Canadá é o Québec, nas palavras dele "o Canadá é classe" e "Montréal é responsa total", nada mal heim!

O Processo
Composição: (Letra: Bnegão/ Música: Kalunga, Pedrão, Muzak, Pedro Garcia e Bnegão)

Esse som é sobre a ciência da persistência versus a preguiça e a descrença
Paciência é a sapiência do espírito
Viver no presente é a base, a chave para seguir bem na viagem
Evita o desgaste desnessessário durante o seu intinerário no planeta
Esse som é sobre o processo

O PROCESSO É LENTO

Rápido se monta uma moradia precária
Lento se constrói uma casa segura
Rápido a tv te entope de banalidades
Lento uma leitura certeira te dá um levante
Rápido se faz uma pixação
Lento se faz um grafite bem feito
Rápido uma moto se espatifa contra uma parede
Lento uma goteira contínua consegue perfurar a mais compacta pedra

O processo é lento (não tô dizendo que é fácil…)
O processo é lento Tem que trabalhar, trabalhar feito um operário (só que sem horário)
O processo é lento
O desapego do resultado é importante
O processo é lento
O caminhar contínuo nessa vibe deve ser o modus operandi

Rápido se faz um aterro pra cobrir o mar
Lento o mar retoma de vez o seu lugar
Rápido se derruba uma árvore secular
Lento desenvolve-se uma planta curativa
Rápido a violência tenta se justificar
Lento se percebe aonde tudo isso vai chegar
Rápido o mundo acelera sua degradação
Lento, o novo pensamento vai dando sinais sutis da sua existência

Processo de justiça: lento
educação: lento
Processo é lento de informação (lento)
Percepção: lento
Aprendizado:lento
Processo é lento de evolução (lento)

Processo quase eterno de repetição, irmão
É por isso que eu digo, leva fé
A parada é essa, não tem outra
O negócio é seguir no melhor estilo conta-gotas
¨Numa relax, numa tranquila, numa boa”
Dentro das possibilidades, procurar a melhor opção

O processo é lento
Realidade não é sempre o que parece
O processo é lento
Aceitação e compreensão da situação baixa consideravelmente a taxa de stress
O processo é lento
Só segue quem se fortalece
Pega a responsa pra si, e é isso aí
O processo é lento
Sem ficar de guerri-guerri, sem ficar de ti-ti-ti
O processo é lento
Porque o processo é lento, mas é assim que a gente vai pra frente, cumpadi
O processo é lento
Procurando uma melhoria, um futuro um pouco mais descente
O processo é lento
É, o processo é lento, mas tamo nessa
Tá junto, tá junto.