Mostrando postagens com marcador saudade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador saudade. Mostrar todas as postagens

sábado, 10 de abril de 2010

Desejo, necessidade, vontade.

Aqui em Montréal pra comer cultura a gente tem a bela opção que é o Accès Montréal Card. Pra fazer o cartãozinho você paga a módica quantia de 6$ e durante um ano você pode ter descontos e ingressos gratuitos na maior parte dos equipamentos culturais da cidade.

Eu mesma vivo dando um bordejo aqui na casa de cultura da esquina. Frequentamos teatro, show de jazz, rock, exposições... tudo, mas tudinho mesmo de graça! E de qualidade, claro.

O Accès Montréal é o que um amigo querido daqui costuma chamar de "vale-night".

Lá no Brasi, nossa terrinha de origem, a Comissão de Educação e Cultura está terminando de aprovar o Vale-Cultura.

O Vale-Cultura de 50 reais será dado mensalmente à todo trabalhador com carteira assinada e que ganhe até 5 salários mínimos por mês. O vale, claro, só poderá ser usado em atividades culturais (teatro, cinema, shows, etc) e será um incentivo pra tantos que nunca entraram numa sala de cinema, num museu ou assistiram uma apresentação de dança.

Prestenção: o post não é político, ok?! Mas não pude deixar de ressaltar, admirar e compartilhar aqui com vocês a iniciativa.

Sobretudo porque sei na pele o que a arte pode fazer por nós.

Se aqui no Canadá a gente fica que nem bobo achando tudo maravilhoso, perfeito, organizado (apesar da corrupção que também rola solta), ou seja, exercendo profundamente nosso olhar colonizado, por que não admitirmos que projetos como esse no Brasil fazem toda diferença também?

Iniciativas desse tipo são bem vindas em qualquer lugar, aqui e acolá.



E porque a gente não é bobo nem nada :

sábado, 30 de janeiro de 2010

Clowns


Uma tarde com fotos e saudade resulta num albinho virtual de família.
Pipo, meu querido palhaço Matraca. Ou Marcus Vinicius Matraca... Seu Doutor.
Du, Dudu e Edu, que saiu com Batone e Pipo numa tarde de clownaria azul de 2003, no Rio. Nosso Rio, em janeiro.
Batone, meu benzinho, que fez a música, Acrobatas Epiléticos.
Adoro essa turminha!
Esse é meu picadeiro!
Taí um albinho virtual pra gente guardar esse momento, clique aqui!

domingo, 17 de janeiro de 2010

pra Lamie

Ontem fui no cinema com a Amélie e com a Erica, fomos ver o filme do Almodovar, finalmente. Eu adorei, achei triste e fiquei até com vontade de chorar. A Penélope Cruz é tudo, linda e ótima atriz, sou fã daquele jeito magrela dela, me dá até orgulho de ter pernas finas! Mas enfim, a minha vontade aqui não é de falar das cores de Almodovar ou do corpinho frágil de Penélope, quero é falar de Lamie (Litza + Amie).

Lamie é minha amiga que achei lá na TV Brasil. Partilhávamos belas manhãs, onde Av. Chile virava Av. Paulista, barzinho da Joaquim Silva virava Pub Londrino e prazos e pressões de trabalho viravam só algumas horas da nossa vida de jovenzinha com marido e cinemas para frequentar.

Quando voltei do cinema ontem peguei um ônibus, pois o metrô estava lento por conta de um acidente. Por incrível que pareça pegar ônibus aqui é mais gostoso que metrô, sobretudo de noite. A gente vem reparando na cidade, na ordem de cada rua, nas luzes do Natal que ainda estão aí (e acho que devem ficar até o fim do inverno). Aí vi um outdoor que dizia:

"Il est seize heure. Savez-vous où est ton rayon de soleil?"
(São 16h. Você sabe onde está o seu raio de Sol?"

e abaixo da frase:

"Le solde évasion hivernale"
(saldão de inverno)

e logo abaixo, pequenino, o nome da loja ou empresa (Expedia).

Na hora achei genial, a melhor propaganda de shopping de todos os tempos! Explico: no inverno 16h aqui já é noite, é o horário de rush, o metrô ferve e os engarrafamentos também. Horário nobre na tv é 18h, hora do jornal. Eu até que gosto de anoitecer cedo pois a noite fica longa e a gente pode fazer muitas coisas noturnas numa noite só.

Assim como gostava muito quando anoitecia quase 21h e o dia ficava imenso, pelo mesmo motivo.

Pensei "caramba, tenho que falar com Lamie dessa propaganda": você sai do trabalho, já está escuro e inverno e seu raio de Sol está nas compras, Lamie vai amar isso!

Mas aí cheguei em casa e vi que Expedia é uma agência de viagens, ou seja, hora de se mandar pra Flórida! (Ou Búzios, pros imigrantes vindos do Rio). Aí a propaganda não ficou mais tão sensacional assim, ficou meio óbvia...

Mas Lamie continuou nas minhas lembranças.

Lamie, você nem acredita, quando fui no shopping gastar o cartão presente que ganhei de Natal no trabalho a música que estava tocando era... Keane! Shomewhere only we know. Não acreditei, acho que você estava lá comigo, partilhando esses lugares que a gente conhece bem e que podem ser tudo que a gente quer que eles sejam...

Obrigada por tudo, pela boa companheira que foi nos breves e transformadores momentos em que estivemos juntas!



sábado, 15 de agosto de 2009

Conta final

Porque no final o que fica é a lembrança.

E uma grande lembrança serão vocês, queridos colegas de trabalho da nossa TV Brasil... ou TVE! Quando começar meu novo trabalho nas terras geladas vou lembrar muito de vocês...


Ivan, garoto papa-goiaba. Mengão, Nikiti, Buzios, Itaquá... e ainda tem que trabalhar!!! Vida de estagiário não é mole não, Ivan! De você levo a certeza de que sempre é preciso começar.
Cláudio, esse menino desconcertado ninguém quer perder! Seu nome é talento e eficiência. Tá, e um pouquinho de mal-humor também... Com sua conduta discreta não esboçou nenhum espanto com minha saída. Fiquei desolée! De índole prestativa vive sendo disputado pela casa. Mas duvido que queira deixar essa trupe fantástica. Um querido que faz maravilhas virtuais e amigos reais...
Ricardo, você foi uma surpresa muito boa. No dia que cheguei no 11º andar nem deu bola pra mim e ainda fez cara feia... pensei "Ah, ele deve ser muito legal!". Estava mantendo a tradição: na Darcy eu te dava boa noite e nada de resposta... Aqui eu dava bom dia na catraca e nada de sorriso.... Mas no Interprograma finalmente o coração se abriu e agora levo comigo a lembrança de um chefe amigo que mesmo brabo permanece manso. Até dizendo palavras chulas! (Ouvi coisas terríveis naquela ilha! Um horror...). De coração de ouro é sem dúvida um exemplar divino de ser humano. Um fofo!
Renata, nossa história é antiga! Primeiro em 2002, na trupe Denival, com atitudes dispersivas e adeptas da estética do farrapo. Depois rodei e acabei voltando pros seus braços. Nos divertimos um bocado e mesmo morrendo de tédio ainda havia um bom motivo pra uma risada! Lembra do dia em que falamos com o Dan? rsrs. Levo de você comigo a força de Yemanjá! Não é a primeira vez que nos despedimos e nos reencontramos. Certamente muitos ainda virão por aí.
Litza, a maior surpresa de todas. Um doce de pessoa escondida numa antipatia elegante. Fiquei na minha até me permitir mostrar pra você e me permitir te ver de verdade. Resultado: adorei! Com minha mania de procurar amigos por aí, rapidinho você ganhou um canto reservado no meu coração. Generosa que é foi até minha casa e deu uma geral na bagunça do meu guarda roupa que desatou finalmente a bagunça do estranhamento inicial. Levo de você uma mala muito mais organizada e eficiente e, claro, a certeza do reencontro.
Clarissa, uma boneca mineira. Ô muié! Duns tempos pra cá grudou ni nóis, danô de falá e fazê roteiro e se bobeá ainda chama os ômi de paiaço. Quando a coisa trapaiô a equipe num pensô duas vêis, pra mode fazer o núcleo andá falou: Traz essa muié prá cá, uai! Aí a coisa foi... Esse interprograma é dos bão, sô! De você levo uma dança de bonecos num palco de sotaques e brasis... e ainda que eu esteja na Lua, lá comigo estarão!
É isso, gente, eu tô indo!!!!!!

:o)
beijos já saudosos,
Gabi

sexta-feira, 10 de julho de 2009

mi casa, tu casa

"Outro dia, sentada no bar com amigos, ouvi dizer: ética é o melhor de si mesmo. ou algo assim. e fiquei com isto estalando por dentro. estou às voltas com a tal 'cooperação internacional', seja no trabalho, seja nas teias afetivas que me sustentam e alegram. e nesta torre de todas as cores e letras possíveis, há quatro termos sagrados: diversidade, paz, diálogo e tolerância. - antes de escrever sagrado, ia escrever 'bíblico', mas pensei que estaria deixando de lado as muitas possibilidades de fé, inclusive a fé matéria-bruta que é a fé no outro. aliás, aprendi um termo novo: plurinacional. e gosto deste porque plurinacional não nega a origem, conjuga hábitos comuns e aceita a diferença. eu tenho o verde-amarelismo um pouco desbotado. não por vergonha, negação ou rebeldia. é desbotado porque me permiti expandir, simplesmente. me permiti bagunçar cores, ritmos, palavras, jeitos, temperamentos. bagunçar não como quem visita, mas como quem faz parte. é bem diferente e é preciso comunhão entre quem dá e quem recebe. uma coisa é ser anfitrião, outra é ser hospitaleiro. alguns podem ter me visto imigrante, se fui, foi apenas sob uma condição: imigrante de mim mesma, porque não moro em mim faz tempo. mais que isso: não caibo. atravessar a rua pode ser perigoso e não é pelo outro parado suspeitamente na esquina. é por você mesmo - eticamente falando..."

Esse texto é da minha amiga Vanessa é o resultado de nossos papos sobre ir e vir de dentro e fora de nós mesmas. Ela, que já foi imigrante na Espanha, hoje está aqui pra me dar um abraço bem apertado quando chegar a minha hora.

Juntas chegamos à confabulações sobre o mundo e sobre nós que não cabem nem mesmo em nosso abraço.

Que bom é partir sabendo o lugar de origem...

beijos, minha amie!

sábado, 18 de abril de 2009

1 avô e 6 tios

Às vezes fica difícil dimensionar como uma decisão sua pode gerar uma série de reações.
É isso. Primeiro um toma uma decisão e muda de lugar, depois o segundo decide por outro lugar e, por fim, essas decisões mudam tudo de lugar dentro de alguém que fica.

Foi assim que ganhei num só domingo 1 avô e 6 tios. De repente minha mãe disse "Dizem que ela é muito parecida comigo, talvez seja minha irmã, vamos lá ver?"
A gente foi... e era.

Agora ficou em mim a história de um novo avô, um que eu não conhecia. Diferente daquele que tínhamos orgulho apenas por ter sido idealista e que um dia havia levado um pacote de creamcracker pra minha mãe quando ela era nesse mundo apenas um bebê. (será essa a história ou a poesia?).

Agora a gente sabe que ficou dele também uma família nova, amorosa e carinhosa que quer ver de perto tudo o que diz repeito ao passado desse pai. O pai deles. Melhor: o pai de todos eles.
São 6 mais 3. São 9...
1 pai e 9 histórias.

Essa conta rende um avô.

Taí uma nova história que começa nessa vida. Mesmo que não seja o início da vida.
Essa música é uma boa trilha sonora pra se recontar essa história.

Ela é pra minha mãe e pro meu avô Alberto, que lá do outro lado do céu derrama num papel novos poemas de amor...



Cheio de Vazio (Paulinho Moska)

O vazio é um meio de transporte
Pra quem tem coração cheio
Cheio de vazios que transbordam
Seus sentidos pelo meio
Meio que circunda o infinito
Tão bonito de tão feio
Feio que ensina e que termina
Começando outro passeio

E lá do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor

Amor é o nome que se dá
Quando se percebe o olhar alheio
Alheio a tudo que não for
Aquilo que está dentro do teu seio
Porque seio é o alimento
E ao mesmo tempo a fonte para o desbloqueio
E desbloqueio é quando aquele tal vazio
Se transforma em amor que veio

Lá do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor

Do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor

O vazio é um meio de transporte
Pra quem tem coração cheio

sexta-feira, 13 de março de 2009

O Subúrbio do Mundo

Escrito pelo meu irmão Saulo de Andrade, jornalista, músico e imigrante na Austrália:

O subúrbio do mundo

Coisa mais interessante é ser cleaner de shopping (faxineiro de shopping), aqui na Austrália. Sinto-me como um retirante nordestino, que, ao chegar no Rio de Janeiro, com muito esforço, consegue um emprego no Plaza Shopping Niterói (Praza, de humilde, né!), garantindo mais um "posto de trabalho" (como gosta de afirmar a nossa podre elitizinha direitista).

Eu, neste caso, sou um retirante do mundo. Venho de um exótico e distante país. Um "planeta" diferente, ao sul das Américas, muito conhecido pela violência, pelas festas (Carnaval!! Uhu!!), pela corrupção, pelo futebol cinco estrelas e pelas lindas "bailarinas", que supostamente falam espanhol ("Não? Sorry! No Brasil vocês falam português? Ah, não sabia"...).

Todas as loirinhas Anglo-Saxônicas -como em qualquer shopping da Barra-, empurradas pela correria do sonho pequeno-burguês de cada dia, são praticamente um objeto distante da minha realidade.

Invisível, faz-se necessário esquecer -durante o período laboral- toda a sua bagagem acadêmica. Afinal, limpar o chão de um templo de consumo é o que resta, pelo menos por enquanto, para a maioria dos imigrantes latino-americanos, quando a busca por dinheiro que paga as contas se torna mais importante que qualquer pseudo-posição na pirâmide social (especialmente em períodos de Crise Financeira Mundial).

Hoje à tarde passei por um episódio curioso.

A neo-zelandesa que trabalha comigou me perguntou: "Você gosta desse trabalho?". E eu disse: "Na verdade, eu não gosto, mas é razoavelmente bom, já que consigo viver dignamente trabalhando como cleaner. No meu país sou jornalista". Espantada, desengonçada, envergonhada e sem o menor traquejo, ela chutou o balde, deixou a água quente cair no chão, e continuou, com os olhos arregalados de susto ("afinal, como pode um ser pensante trabalhar 'COM ISSO'?"): "Mas o que você está fazendo aqui, limpando?". E eu disse: "Isso é o que tenho de fazer para bancar meus estudos por aqui, qualificar-me e, quem sabe, voltar ao meu país para tentar -eu disse tentar- recomeçar a minha vida profissional e receber o mesmo salário (ou menos) que recebo mensalmente aqui, mas trabalhando lá, como jornalista".

Definitivamente, ser faxineiro no Primeiro Mundo é um excelente exercício sociológio -propício para aqueles que pensam estarem construindo seus castelos, isoladamente de todo tipo de miséria humana. Coitados. Muita "gente bonita" -de alma pobre- de nossas grandes cidades não percebe que, no fundo, a favela são eles mesmos. Somos nada menos que o subúrbio do mundo.

Saulo Andrade, de Brisbane, Austrália.