sexta-feira, 26 de junho de 2009

en passant


Livros! Peguei-me a observá-los em algum desses dias em que fico confabulando qual será o destino dos nossos bens mais valiosos e coloridos (incluam-se aí também os discos!). As dúvidas são muitas e a certeza só uma: sem eles não temos história e se mudar de país passa longe de mudar de história, ao contrário, a proposta é complementá-la. Para tanto temos que juntar nossos valiosos livros em portugues aos futuros livros que leremos em francês e em inglês. Paspalhamente falando fica fácil confessar que boa parte deles não foi lido e o que fica é o fato de que eles estiveram ali o tempo todo me pedindo e agora de repente eles vão sair do meu campo de visão! Mas assim, sem mais nem lendo?! E pra não ficar essa sensação terrível de vazio ou tempo perdido (culpa!), resolvi me impor um desafio inspirado num blog que vi en passant que lançou um desafio: ler 50 livros em 2009. Como estamos em fins de junho, o mês mais canjica do ano, vou me lançar o desafio de ler 25 livros em 1 semestre. Começa dia 1º de julho, o dia da mudança! (sugestivo). Não é uma conta fácil: dá uma média de 4,16 livros por mês. Praticamente 1 por semana! Uau! (será que eu tô viajando?)... O caminho é longo...




Bem, foi dada a largada!!!





sábado, 2 de maio de 2009

Clip de "Noturno" (Batone)

O Batone está gravando o segundo disco dele no estúdio Filet com Fritas, aqui no Rio. O primeiro disco foi gravado lá em Londrina.
A Filet com Fritas é também uma produtora de imagem (fotografia publicitária e audiovisual). Taí o resultado de uma tarde com uma câmera na mão do querido Júnior, o Ely Arcoverde.
Um clip pra música "Noturno", na cidade diurna do Rio de Janeiro.


sábado, 18 de abril de 2009

1 avô e 6 tios

Às vezes fica difícil dimensionar como uma decisão sua pode gerar uma série de reações.
É isso. Primeiro um toma uma decisão e muda de lugar, depois o segundo decide por outro lugar e, por fim, essas decisões mudam tudo de lugar dentro de alguém que fica.

Foi assim que ganhei num só domingo 1 avô e 6 tios. De repente minha mãe disse "Dizem que ela é muito parecida comigo, talvez seja minha irmã, vamos lá ver?"
A gente foi... e era.

Agora ficou em mim a história de um novo avô, um que eu não conhecia. Diferente daquele que tínhamos orgulho apenas por ter sido idealista e que um dia havia levado um pacote de creamcracker pra minha mãe quando ela era nesse mundo apenas um bebê. (será essa a história ou a poesia?).

Agora a gente sabe que ficou dele também uma família nova, amorosa e carinhosa que quer ver de perto tudo o que diz repeito ao passado desse pai. O pai deles. Melhor: o pai de todos eles.
São 6 mais 3. São 9...
1 pai e 9 histórias.

Essa conta rende um avô.

Taí uma nova história que começa nessa vida. Mesmo que não seja o início da vida.
Essa música é uma boa trilha sonora pra se recontar essa história.

Ela é pra minha mãe e pro meu avô Alberto, que lá do outro lado do céu derrama num papel novos poemas de amor...



Cheio de Vazio (Paulinho Moska)

O vazio é um meio de transporte
Pra quem tem coração cheio
Cheio de vazios que transbordam
Seus sentidos pelo meio
Meio que circunda o infinito
Tão bonito de tão feio
Feio que ensina e que termina
Começando outro passeio

E lá do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor

Amor é o nome que se dá
Quando se percebe o olhar alheio
Alheio a tudo que não for
Aquilo que está dentro do teu seio
Porque seio é o alimento
E ao mesmo tempo a fonte para o desbloqueio
E desbloqueio é quando aquele tal vazio
Se transforma em amor que veio

Lá do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor

Do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor

O vazio é um meio de transporte
Pra quem tem coração cheio

sexta-feira, 13 de março de 2009

O Subúrbio do Mundo

Escrito pelo meu irmão Saulo de Andrade, jornalista, músico e imigrante na Austrália:

O subúrbio do mundo

Coisa mais interessante é ser cleaner de shopping (faxineiro de shopping), aqui na Austrália. Sinto-me como um retirante nordestino, que, ao chegar no Rio de Janeiro, com muito esforço, consegue um emprego no Plaza Shopping Niterói (Praza, de humilde, né!), garantindo mais um "posto de trabalho" (como gosta de afirmar a nossa podre elitizinha direitista).

Eu, neste caso, sou um retirante do mundo. Venho de um exótico e distante país. Um "planeta" diferente, ao sul das Américas, muito conhecido pela violência, pelas festas (Carnaval!! Uhu!!), pela corrupção, pelo futebol cinco estrelas e pelas lindas "bailarinas", que supostamente falam espanhol ("Não? Sorry! No Brasil vocês falam português? Ah, não sabia"...).

Todas as loirinhas Anglo-Saxônicas -como em qualquer shopping da Barra-, empurradas pela correria do sonho pequeno-burguês de cada dia, são praticamente um objeto distante da minha realidade.

Invisível, faz-se necessário esquecer -durante o período laboral- toda a sua bagagem acadêmica. Afinal, limpar o chão de um templo de consumo é o que resta, pelo menos por enquanto, para a maioria dos imigrantes latino-americanos, quando a busca por dinheiro que paga as contas se torna mais importante que qualquer pseudo-posição na pirâmide social (especialmente em períodos de Crise Financeira Mundial).

Hoje à tarde passei por um episódio curioso.

A neo-zelandesa que trabalha comigou me perguntou: "Você gosta desse trabalho?". E eu disse: "Na verdade, eu não gosto, mas é razoavelmente bom, já que consigo viver dignamente trabalhando como cleaner. No meu país sou jornalista". Espantada, desengonçada, envergonhada e sem o menor traquejo, ela chutou o balde, deixou a água quente cair no chão, e continuou, com os olhos arregalados de susto ("afinal, como pode um ser pensante trabalhar 'COM ISSO'?"): "Mas o que você está fazendo aqui, limpando?". E eu disse: "Isso é o que tenho de fazer para bancar meus estudos por aqui, qualificar-me e, quem sabe, voltar ao meu país para tentar -eu disse tentar- recomeçar a minha vida profissional e receber o mesmo salário (ou menos) que recebo mensalmente aqui, mas trabalhando lá, como jornalista".

Definitivamente, ser faxineiro no Primeiro Mundo é um excelente exercício sociológio -propício para aqueles que pensam estarem construindo seus castelos, isoladamente de todo tipo de miséria humana. Coitados. Muita "gente bonita" -de alma pobre- de nossas grandes cidades não percebe que, no fundo, a favela são eles mesmos. Somos nada menos que o subúrbio do mundo.

Saulo Andrade, de Brisbane, Austrália.

quinta-feira, 5 de março de 2009

fel

Demora né? mas ao mesmo tempo também passa rápido...
Enquanto isso vamos com a fofa da Josée Madore, nossa tutora do curso do Fel, antecipando um pouquinho do que será. Ela é super eficiente, quando a gente manda os exercícios orais ela responde com os comentários já no mesmo dia. Super ágil! Que nem o tempo!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

accusé de réception

Chegou a carta do consulado confirmando o recebimento dos documentos...

Nem acredito!


:o)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Bnegão

Ah, uma música que vem muito a calhar! Se puderem escutem (fico falando no plural achando que tem um monte de gente lendo... haha, meus amigos imaginários!), ela é boa pra quem está nesse compasso de espera e também pra toda a vida.

É do nosso querido Bnegão, que aliás me disse que a parte preferida dele no Canadá é o Québec, nas palavras dele "o Canadá é classe" e "Montréal é responsa total", nada mal heim!

O Processo
Composição: (Letra: Bnegão/ Música: Kalunga, Pedrão, Muzak, Pedro Garcia e Bnegão)

Esse som é sobre a ciência da persistência versus a preguiça e a descrença
Paciência é a sapiência do espírito
Viver no presente é a base, a chave para seguir bem na viagem
Evita o desgaste desnessessário durante o seu intinerário no planeta
Esse som é sobre o processo

O PROCESSO É LENTO

Rápido se monta uma moradia precária
Lento se constrói uma casa segura
Rápido a tv te entope de banalidades
Lento uma leitura certeira te dá um levante
Rápido se faz uma pixação
Lento se faz um grafite bem feito
Rápido uma moto se espatifa contra uma parede
Lento uma goteira contínua consegue perfurar a mais compacta pedra

O processo é lento (não tô dizendo que é fácil…)
O processo é lento Tem que trabalhar, trabalhar feito um operário (só que sem horário)
O processo é lento
O desapego do resultado é importante
O processo é lento
O caminhar contínuo nessa vibe deve ser o modus operandi

Rápido se faz um aterro pra cobrir o mar
Lento o mar retoma de vez o seu lugar
Rápido se derruba uma árvore secular
Lento desenvolve-se uma planta curativa
Rápido a violência tenta se justificar
Lento se percebe aonde tudo isso vai chegar
Rápido o mundo acelera sua degradação
Lento, o novo pensamento vai dando sinais sutis da sua existência

Processo de justiça: lento
educação: lento
Processo é lento de informação (lento)
Percepção: lento
Aprendizado:lento
Processo é lento de evolução (lento)

Processo quase eterno de repetição, irmão
É por isso que eu digo, leva fé
A parada é essa, não tem outra
O negócio é seguir no melhor estilo conta-gotas
¨Numa relax, numa tranquila, numa boa”
Dentro das possibilidades, procurar a melhor opção

O processo é lento
Realidade não é sempre o que parece
O processo é lento
Aceitação e compreensão da situação baixa consideravelmente a taxa de stress
O processo é lento
Só segue quem se fortalece
Pega a responsa pra si, e é isso aí
O processo é lento
Sem ficar de guerri-guerri, sem ficar de ti-ti-ti
O processo é lento
Porque o processo é lento, mas é assim que a gente vai pra frente, cumpadi
O processo é lento
Procurando uma melhoria, um futuro um pouco mais descente
O processo é lento
É, o processo é lento, mas tamo nessa
Tá junto, tá junto.