sábado, 18 de abril de 2009

1 avô e 6 tios

Às vezes fica difícil dimensionar como uma decisão sua pode gerar uma série de reações.
É isso. Primeiro um toma uma decisão e muda de lugar, depois o segundo decide por outro lugar e, por fim, essas decisões mudam tudo de lugar dentro de alguém que fica.

Foi assim que ganhei num só domingo 1 avô e 6 tios. De repente minha mãe disse "Dizem que ela é muito parecida comigo, talvez seja minha irmã, vamos lá ver?"
A gente foi... e era.

Agora ficou em mim a história de um novo avô, um que eu não conhecia. Diferente daquele que tínhamos orgulho apenas por ter sido idealista e que um dia havia levado um pacote de creamcracker pra minha mãe quando ela era nesse mundo apenas um bebê. (será essa a história ou a poesia?).

Agora a gente sabe que ficou dele também uma família nova, amorosa e carinhosa que quer ver de perto tudo o que diz repeito ao passado desse pai. O pai deles. Melhor: o pai de todos eles.
São 6 mais 3. São 9...
1 pai e 9 histórias.

Essa conta rende um avô.

Taí uma nova história que começa nessa vida. Mesmo que não seja o início da vida.
Essa música é uma boa trilha sonora pra se recontar essa história.

Ela é pra minha mãe e pro meu avô Alberto, que lá do outro lado do céu derrama num papel novos poemas de amor...



Cheio de Vazio (Paulinho Moska)

O vazio é um meio de transporte
Pra quem tem coração cheio
Cheio de vazios que transbordam
Seus sentidos pelo meio
Meio que circunda o infinito
Tão bonito de tão feio
Feio que ensina e que termina
Começando outro passeio

E lá do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor

Amor é o nome que se dá
Quando se percebe o olhar alheio
Alheio a tudo que não for
Aquilo que está dentro do teu seio
Porque seio é o alimento
E ao mesmo tempo a fonte para o desbloqueio
E desbloqueio é quando aquele tal vazio
Se transforma em amor que veio

Lá do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor

Do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor

O vazio é um meio de transporte
Pra quem tem coração cheio

sexta-feira, 13 de março de 2009

O Subúrbio do Mundo

Escrito pelo meu irmão Saulo de Andrade, jornalista, músico e imigrante na Austrália:

O subúrbio do mundo

Coisa mais interessante é ser cleaner de shopping (faxineiro de shopping), aqui na Austrália. Sinto-me como um retirante nordestino, que, ao chegar no Rio de Janeiro, com muito esforço, consegue um emprego no Plaza Shopping Niterói (Praza, de humilde, né!), garantindo mais um "posto de trabalho" (como gosta de afirmar a nossa podre elitizinha direitista).

Eu, neste caso, sou um retirante do mundo. Venho de um exótico e distante país. Um "planeta" diferente, ao sul das Américas, muito conhecido pela violência, pelas festas (Carnaval!! Uhu!!), pela corrupção, pelo futebol cinco estrelas e pelas lindas "bailarinas", que supostamente falam espanhol ("Não? Sorry! No Brasil vocês falam português? Ah, não sabia"...).

Todas as loirinhas Anglo-Saxônicas -como em qualquer shopping da Barra-, empurradas pela correria do sonho pequeno-burguês de cada dia, são praticamente um objeto distante da minha realidade.

Invisível, faz-se necessário esquecer -durante o período laboral- toda a sua bagagem acadêmica. Afinal, limpar o chão de um templo de consumo é o que resta, pelo menos por enquanto, para a maioria dos imigrantes latino-americanos, quando a busca por dinheiro que paga as contas se torna mais importante que qualquer pseudo-posição na pirâmide social (especialmente em períodos de Crise Financeira Mundial).

Hoje à tarde passei por um episódio curioso.

A neo-zelandesa que trabalha comigou me perguntou: "Você gosta desse trabalho?". E eu disse: "Na verdade, eu não gosto, mas é razoavelmente bom, já que consigo viver dignamente trabalhando como cleaner. No meu país sou jornalista". Espantada, desengonçada, envergonhada e sem o menor traquejo, ela chutou o balde, deixou a água quente cair no chão, e continuou, com os olhos arregalados de susto ("afinal, como pode um ser pensante trabalhar 'COM ISSO'?"): "Mas o que você está fazendo aqui, limpando?". E eu disse: "Isso é o que tenho de fazer para bancar meus estudos por aqui, qualificar-me e, quem sabe, voltar ao meu país para tentar -eu disse tentar- recomeçar a minha vida profissional e receber o mesmo salário (ou menos) que recebo mensalmente aqui, mas trabalhando lá, como jornalista".

Definitivamente, ser faxineiro no Primeiro Mundo é um excelente exercício sociológio -propício para aqueles que pensam estarem construindo seus castelos, isoladamente de todo tipo de miséria humana. Coitados. Muita "gente bonita" -de alma pobre- de nossas grandes cidades não percebe que, no fundo, a favela são eles mesmos. Somos nada menos que o subúrbio do mundo.

Saulo Andrade, de Brisbane, Austrália.

quinta-feira, 5 de março de 2009

fel

Demora né? mas ao mesmo tempo também passa rápido...
Enquanto isso vamos com a fofa da Josée Madore, nossa tutora do curso do Fel, antecipando um pouquinho do que será. Ela é super eficiente, quando a gente manda os exercícios orais ela responde com os comentários já no mesmo dia. Super ágil! Que nem o tempo!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

accusé de réception

Chegou a carta do consulado confirmando o recebimento dos documentos...

Nem acredito!


:o)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Bnegão

Ah, uma música que vem muito a calhar! Se puderem escutem (fico falando no plural achando que tem um monte de gente lendo... haha, meus amigos imaginários!), ela é boa pra quem está nesse compasso de espera e também pra toda a vida.

É do nosso querido Bnegão, que aliás me disse que a parte preferida dele no Canadá é o Québec, nas palavras dele "o Canadá é classe" e "Montréal é responsa total", nada mal heim!

O Processo
Composição: (Letra: Bnegão/ Música: Kalunga, Pedrão, Muzak, Pedro Garcia e Bnegão)

Esse som é sobre a ciência da persistência versus a preguiça e a descrença
Paciência é a sapiência do espírito
Viver no presente é a base, a chave para seguir bem na viagem
Evita o desgaste desnessessário durante o seu intinerário no planeta
Esse som é sobre o processo

O PROCESSO É LENTO

Rápido se monta uma moradia precária
Lento se constrói uma casa segura
Rápido a tv te entope de banalidades
Lento uma leitura certeira te dá um levante
Rápido se faz uma pixação
Lento se faz um grafite bem feito
Rápido uma moto se espatifa contra uma parede
Lento uma goteira contínua consegue perfurar a mais compacta pedra

O processo é lento (não tô dizendo que é fácil…)
O processo é lento Tem que trabalhar, trabalhar feito um operário (só que sem horário)
O processo é lento
O desapego do resultado é importante
O processo é lento
O caminhar contínuo nessa vibe deve ser o modus operandi

Rápido se faz um aterro pra cobrir o mar
Lento o mar retoma de vez o seu lugar
Rápido se derruba uma árvore secular
Lento desenvolve-se uma planta curativa
Rápido a violência tenta se justificar
Lento se percebe aonde tudo isso vai chegar
Rápido o mundo acelera sua degradação
Lento, o novo pensamento vai dando sinais sutis da sua existência

Processo de justiça: lento
educação: lento
Processo é lento de informação (lento)
Percepção: lento
Aprendizado:lento
Processo é lento de evolução (lento)

Processo quase eterno de repetição, irmão
É por isso que eu digo, leva fé
A parada é essa, não tem outra
O negócio é seguir no melhor estilo conta-gotas
¨Numa relax, numa tranquila, numa boa”
Dentro das possibilidades, procurar a melhor opção

O processo é lento
Realidade não é sempre o que parece
O processo é lento
Aceitação e compreensão da situação baixa consideravelmente a taxa de stress
O processo é lento
Só segue quem se fortalece
Pega a responsa pra si, e é isso aí
O processo é lento
Sem ficar de guerri-guerri, sem ficar de ti-ti-ti
O processo é lento
Porque o processo é lento, mas é assim que a gente vai pra frente, cumpadi
O processo é lento
Procurando uma melhoria, um futuro um pouco mais descente
O processo é lento
É, o processo é lento, mas tamo nessa
Tá junto, tá junto.

etapa federal e outras coisas boas

No dia 07/01 postamos o envelope com os documentos da etapa federal. Yhu! Imigrar exige organização, paciência e perseverança, que começa justo na junção de todos esses documentos.

Seguinto a cartilha do beabá dos blogs imigrantes, segue abaixo a lista de tudo que foi dentro do envelope do nosso trousse de demande de visa de résident permanent.

Pra quem ainda tem dúvida:

- Demande de résidence permanente au Canada (preenchido pelo req. principal);

- Annexe 1: Antécédents/Déclaration (preenchido pelos dois);

- Renseignements additionnels sur la famille (preenchido pelos dois);

- Annexe 5: Déclaration d`intention de résider au Québec (preenchido pelo req. principal);

- Certificat de seléction du Québec (dos dois);

- Cópia do passaporte do requerente principal e do cônjuge;

- Cópia de certidão de nascimento do requerente principal e do cônjuge;

- Cópia da Declaração de União Estável (Conjoint de fait);

- Cópia da carteira de identidade do requerente principal e do cônjuge;

- 6 fotos (3,5 x 4,5) do requerente principal e do cônjuge;

- Certidões de Antecedentes Criminais emitidas pelo Estado;

- Certidões de Distribuição, Ações e Execuções de Natureza: Cíveis, Criminais, Execuções Fiscais e Juizados Especiais;

- Certidões de Antecedentes Criminais da Polícia Federal;

- Comprovante de pagamento das taxas

Quanta coisa né?

Bom, e pra sair da rotina porque nem tudo de bom nessa vida diz respeito à imigração: vocês sabiam que o fotógrafo dos filmes do Almodóvar é um brasileiro? Sim! Chama-se Affonso Beato, o cara é bom mesmo. Aquela atmosfera colorida e quente do Almodóvar vem dele... legal né?

Ele começou a carreira na década de 60, com "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro" do Glauber, e depois saiu pipocando por aí com filmes como "Tudo sobre minha mãe" do Almodóvar, "A Rainha" de Stephen Frears, "Água Negra" de Walter Salles, e por aí foi...

Agora ele volta ao Brasil pra fotografar a nova mini da globo, "Maysa", que tem mesmo estética de filme... e não por acaso, já que em breve estará também na telona.

Agora uma dica pra quem gosta do Michel Gondry (de "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças", "Sonhando Acordado" e "Rebobine por favor"): pra quem não sabe, antes de fazer esses três longas supperbes ele dirigiu os clipes mais legais que já vimos do Paul McCartney, Chemical Brothers, Björk, Withe Stripes e outros. E nesse fim de semana, na MTV, vai ser exibido uma videografia do Michel, no sábado (10/01), 22:30 e reprise no domingo (11/01), 17:30.

Nous ne pouvons pas perdre!

bisous

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Merci Mme Judith!

Segunda, dia 15/12, foi nossa entrevista e deu tudo certinho! Estamos très contents, mas o que nos alegrou ainda mais foi conhecer a Mme Judith.

Na sala de espera, passava um vídeo que nos deixou mais tensos, era uma apresentação musical acompanhada de números acrobáticos esquisitos, alguns tolinhos, outros que exigiam muita concentração e equilíbrio, justamente o que precisaríamos no momento da entrevista.

:o)

Chegamos bem cedinho: 13:20, e nossa entrevista estava marcada para 14:30. Optamos por um café em frente ao prédio, num lugar chamado "Garfus". Lá chegou o M. Benoit, que havia dado a palestra aqui no Rio. Claro que ele não lembrou da gente, apesar das inúmeras perguntas que fizemos no dia. Ele sentou sozinho, falava sozinho e cochilou sozinho... tadinho, a cabeça como um pêndulo balançava pra lá e pra cá, e ele profundamente dormia em plena Av. Berrini, no belo Morumbi. Curioso...

Bom, Mme Judith nos recebeu como uma parente próxima, uma espécie de tia, daquelas que a gente passa o ano todo sem ver mas quando encontra nas férias é como se sempre estivesse estado por perto, porque ela vem toda curiosa querendo saber das novidades. Conferiu os documentos e com um olhar atento a tudo que falávamos nos perguntou sobre nosso plan de vie. Até o momento em que se virou para o computador e disse que iria continuar a avaliação. Escreveu, escreveu... até que após um breve silêncio e concentração virou pra gente e nos felicitou por termos sido aceitos pelo Québec!

Aí não teve pra ninguém, Mme. Judith falou apaixonadamente do Québec, de Montréal, nos deu dicas importantes e por fim mostrou um contentamento sem igual quando o marido ofereceu-lhe seus últimos 2 discos. Disse que se interessava muito pelos artistas brasileiros e pediu pra ele "autografar". E a frase que ele escreveu e reproduzo aqui foi:

"Merci, Mme Judith Grenon, pour nous aider avec notre nouvelle vie!"

Vamos para a próxima etapa!

bisous