terça-feira, 7 de julho de 2009

Oi, Dr. Canadá!


Essa relação postada com o consulado tende a nos deixar um pouco carentes de alguém que possa nos ouvir, nos olhar de perto e fazer um afago. Seria o máximo, pra mim que adoro um chamego, que cada etapa fosse tête-à-tête com alguém do consulado pra dar um sorriso, um abraço bem apertado, desejando que tudo caminhe bem, que nos diga "nossa, que coragem!" ou que tire, com aquela benevolência amiga, nossas dúvidas mais tolas.

Aí quando a gente tem que ficar de frente com a entrevistadora ou com o médico que realiza nossos exames dá aquele alívio, vontade de puxar assunto, partilhar a ansiedade, perguntar o que ele pensa sobre nossa decisão como se ele fosse o próprio país de destino. É o Canadá personificado na figura do Dr. Alexandre ou da Mme Judith, e nós ali, retirantes, recém chegados... "Tá tudo bem comigo, senhor doutor Canadá?".

Hoje fizemos nossa consulta médica aqui no Rio e amanhã faremos os exames clínicos. Aflição danada na espinha é assinar aqueles papéis que o médico dá pra gente ali, na hora. Em relação ao processo, a fase mais delicada - a da entrevista - já passou, e ainda assim assinar papéis no consultório médico causa frisson ainda maior. É, me parece que estamos muito perto da nova morada...



( A foto foi tirada no consultório médico. O personagem principal é mesmo o envelope, tão aguardado por esses quase seis meses.)

sábado, 4 de julho de 2009

Pedido de Exame, nascido em 4 de julho!

Acabaram de chegar nosso pedido de exames, num sábado. Acordamos e estava debaixo da porta!

Oba!
iupi!
yhu!

Impressionante como que a angústia da espera acaba no exato momento da chegada... simples assim!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

en passant


Livros! Peguei-me a observá-los em algum desses dias em que fico confabulando qual será o destino dos nossos bens mais valiosos e coloridos (incluam-se aí também os discos!). As dúvidas são muitas e a certeza só uma: sem eles não temos história e se mudar de país passa longe de mudar de história, ao contrário, a proposta é complementá-la. Para tanto temos que juntar nossos valiosos livros em portugues aos futuros livros que leremos em francês e em inglês. Paspalhamente falando fica fácil confessar que boa parte deles não foi lido e o que fica é o fato de que eles estiveram ali o tempo todo me pedindo e agora de repente eles vão sair do meu campo de visão! Mas assim, sem mais nem lendo?! E pra não ficar essa sensação terrível de vazio ou tempo perdido (culpa!), resolvi me impor um desafio inspirado num blog que vi en passant que lançou um desafio: ler 50 livros em 2009. Como estamos em fins de junho, o mês mais canjica do ano, vou me lançar o desafio de ler 25 livros em 1 semestre. Começa dia 1º de julho, o dia da mudança! (sugestivo). Não é uma conta fácil: dá uma média de 4,16 livros por mês. Praticamente 1 por semana! Uau! (será que eu tô viajando?)... O caminho é longo...




Bem, foi dada a largada!!!





sábado, 2 de maio de 2009

Clip de "Noturno" (Batone)

O Batone está gravando o segundo disco dele no estúdio Filet com Fritas, aqui no Rio. O primeiro disco foi gravado lá em Londrina.
A Filet com Fritas é também uma produtora de imagem (fotografia publicitária e audiovisual). Taí o resultado de uma tarde com uma câmera na mão do querido Júnior, o Ely Arcoverde.
Um clip pra música "Noturno", na cidade diurna do Rio de Janeiro.


sábado, 18 de abril de 2009

1 avô e 6 tios

Às vezes fica difícil dimensionar como uma decisão sua pode gerar uma série de reações.
É isso. Primeiro um toma uma decisão e muda de lugar, depois o segundo decide por outro lugar e, por fim, essas decisões mudam tudo de lugar dentro de alguém que fica.

Foi assim que ganhei num só domingo 1 avô e 6 tios. De repente minha mãe disse "Dizem que ela é muito parecida comigo, talvez seja minha irmã, vamos lá ver?"
A gente foi... e era.

Agora ficou em mim a história de um novo avô, um que eu não conhecia. Diferente daquele que tínhamos orgulho apenas por ter sido idealista e que um dia havia levado um pacote de creamcracker pra minha mãe quando ela era nesse mundo apenas um bebê. (será essa a história ou a poesia?).

Agora a gente sabe que ficou dele também uma família nova, amorosa e carinhosa que quer ver de perto tudo o que diz repeito ao passado desse pai. O pai deles. Melhor: o pai de todos eles.
São 6 mais 3. São 9...
1 pai e 9 histórias.

Essa conta rende um avô.

Taí uma nova história que começa nessa vida. Mesmo que não seja o início da vida.
Essa música é uma boa trilha sonora pra se recontar essa história.

Ela é pra minha mãe e pro meu avô Alberto, que lá do outro lado do céu derrama num papel novos poemas de amor...



Cheio de Vazio (Paulinho Moska)

O vazio é um meio de transporte
Pra quem tem coração cheio
Cheio de vazios que transbordam
Seus sentidos pelo meio
Meio que circunda o infinito
Tão bonito de tão feio
Feio que ensina e que termina
Começando outro passeio

E lá do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor

Amor é o nome que se dá
Quando se percebe o olhar alheio
Alheio a tudo que não for
Aquilo que está dentro do teu seio
Porque seio é o alimento
E ao mesmo tempo a fonte para o desbloqueio
E desbloqueio é quando aquele tal vazio
Se transforma em amor que veio

Lá do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor

Do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor

O vazio é um meio de transporte
Pra quem tem coração cheio

sexta-feira, 13 de março de 2009

O Subúrbio do Mundo

Escrito pelo meu irmão Saulo de Andrade, jornalista, músico e imigrante na Austrália:

O subúrbio do mundo

Coisa mais interessante é ser cleaner de shopping (faxineiro de shopping), aqui na Austrália. Sinto-me como um retirante nordestino, que, ao chegar no Rio de Janeiro, com muito esforço, consegue um emprego no Plaza Shopping Niterói (Praza, de humilde, né!), garantindo mais um "posto de trabalho" (como gosta de afirmar a nossa podre elitizinha direitista).

Eu, neste caso, sou um retirante do mundo. Venho de um exótico e distante país. Um "planeta" diferente, ao sul das Américas, muito conhecido pela violência, pelas festas (Carnaval!! Uhu!!), pela corrupção, pelo futebol cinco estrelas e pelas lindas "bailarinas", que supostamente falam espanhol ("Não? Sorry! No Brasil vocês falam português? Ah, não sabia"...).

Todas as loirinhas Anglo-Saxônicas -como em qualquer shopping da Barra-, empurradas pela correria do sonho pequeno-burguês de cada dia, são praticamente um objeto distante da minha realidade.

Invisível, faz-se necessário esquecer -durante o período laboral- toda a sua bagagem acadêmica. Afinal, limpar o chão de um templo de consumo é o que resta, pelo menos por enquanto, para a maioria dos imigrantes latino-americanos, quando a busca por dinheiro que paga as contas se torna mais importante que qualquer pseudo-posição na pirâmide social (especialmente em períodos de Crise Financeira Mundial).

Hoje à tarde passei por um episódio curioso.

A neo-zelandesa que trabalha comigou me perguntou: "Você gosta desse trabalho?". E eu disse: "Na verdade, eu não gosto, mas é razoavelmente bom, já que consigo viver dignamente trabalhando como cleaner. No meu país sou jornalista". Espantada, desengonçada, envergonhada e sem o menor traquejo, ela chutou o balde, deixou a água quente cair no chão, e continuou, com os olhos arregalados de susto ("afinal, como pode um ser pensante trabalhar 'COM ISSO'?"): "Mas o que você está fazendo aqui, limpando?". E eu disse: "Isso é o que tenho de fazer para bancar meus estudos por aqui, qualificar-me e, quem sabe, voltar ao meu país para tentar -eu disse tentar- recomeçar a minha vida profissional e receber o mesmo salário (ou menos) que recebo mensalmente aqui, mas trabalhando lá, como jornalista".

Definitivamente, ser faxineiro no Primeiro Mundo é um excelente exercício sociológio -propício para aqueles que pensam estarem construindo seus castelos, isoladamente de todo tipo de miséria humana. Coitados. Muita "gente bonita" -de alma pobre- de nossas grandes cidades não percebe que, no fundo, a favela são eles mesmos. Somos nada menos que o subúrbio do mundo.

Saulo Andrade, de Brisbane, Austrália.

quinta-feira, 5 de março de 2009

fel

Demora né? mas ao mesmo tempo também passa rápido...
Enquanto isso vamos com a fofa da Josée Madore, nossa tutora do curso do Fel, antecipando um pouquinho do que será. Ela é super eficiente, quando a gente manda os exercícios orais ela responde com os comentários já no mesmo dia. Super ágil! Que nem o tempo!